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Greve de Trabalhadores Fecha Portões da Escola Secundária Eduardo Mondlane em Maputo


A rotina escolar na , situada na zona de Chitlango, na cidade de , foi interrompida na manhã de quarta-feira (2) devido a um protesto protagonizado por trabalhadores responsáveis por serviços de apoio na instituição.

Guardas, auxiliares e outros prestadores de serviços decidiram encerrar os portões da escola logo nas primeiras horas do dia, impedindo a entrada de estudantes, professores e demais funcionários. A paralisação foi motivada por atrasos salariais que, segundo os trabalhadores, já se prolongam por cerca de cinco meses.

A manifestação gerou um clima de tensão no local e chamou a atenção de autoridades municipais, que se deslocaram à escola para tentar mediar o conflito entre os funcionários e a entidade responsável pelos pagamentos.

Salários em atraso motivam protesto

De acordo com os trabalhadores envolvidos, os salários não são pagos desde novembro do ano passado, situação que tem causado sérias dificuldades financeiras para muitos deles.

Um dos manifestantes, Estevão Mondlane, afirmou que a situação se tornou insustentável para os funcionários. Segundo ele, a falta de rendimentos tem provocado consequências graves na vida das famílias.

“Estamos sem receber desde novembro. Já são cinco meses de atraso. Em casa temos contas para pagar, água e outras despesas. Muitos de nós já estamos a passar dificuldades e precisamos de uma solução urgente”, afirmou.

Os trabalhadores afirmam que o protesto foi uma forma de chamar a atenção das autoridades para a situação, já que várias tentativas anteriores de diálogo não resultaram em soluções concretas.

Perda de confiança nas promessas

Outro ponto destacado pelos manifestantes é a alegada falta de cumprimento das promessas feitas pela entidade responsável pelos pagamentos.

Segundo os funcionários, ao longo dos últimos meses foram dadas várias datas para a regularização dos salários, mas nenhuma delas foi cumprida.

Lurdes Celeste, também trabalhadora da escola, explicou que os funcionários perderam a confiança nas garantias apresentadas.

“Já disseram muitas vezes que iam pagar. Primeiro disseram que seria até quinta-feira, depois mudaram para segunda-feira. Sempre aparece uma nova promessa, mas o pagamento nunca chega. Por isso decidimos parar”, declarou.

Para muitos dos trabalhadores, a greve foi considerada a única forma de pressionar por uma solução imediata.

Frustração entre os funcionários

O sentimento predominante entre os trabalhadores é de frustração e desgaste após meses de espera.

Paulina Venâncio, outra funcionária envolvida no protesto, relatou que os trabalhadores já tentaram procurar esclarecimentos junto das autoridades locais, mas sem obter respostas satisfatórias.

Segundo ela, diversas visitas foram feitas às entidades responsáveis pela gestão do serviço, mas até agora não houve uma explicação clara sobre quando os salários serão pagos.

“Já fomos várias vezes à direcção da cidade e nunca nos deram uma resposta concreta. Só dizem que estão a tratar do assunto”, afirmou.

A falta de informação clara tem aumentado a ansiedade e o descontentamento entre os funcionários.

Intervenção das autoridades

Com o agravamento da situação, o director dos Serviços Sociais da cidade deslocou-se até à escola para dialogar com os trabalhadores e tentar encontrar uma solução para o impasse.

Durante o encontro, foram discutidas possíveis alternativas para resolver a situação, mas as negociações não resultaram num acordo imediato.

Apesar da tentativa de mediação, os trabalhadores mantiveram a posição de que não retomariam plenamente as actividades enquanto os salários em atraso não fossem pagos.

O responsável municipal presente no local não prestou declarações à imprensa sobre o assunto, alegando não ter autorização da equipa de comunicação dos serviços de representação do Estado na cidade.

Impacto nas actividades escolares

O encerramento dos portões da escola teve impacto directo no funcionamento normal das aulas.

Durante o período da paralisação, estudantes e professores foram impedidos de entrar no recinto escolar, o que gerou preocupação entre pais e encarregados de educação.

Embora os portões tenham sido posteriormente reabertos após as negociações com as autoridades, o ambiente permaneceu tenso ao longo do dia.

Os trabalhadores continuam a exigir garantias concretas sobre o pagamento dos salários antes de retomarem completamente as suas funções.

Situação ainda sem solução definitiva

Até ao momento, não foi anunciado um prazo oficial para a regularização dos pagamentos em atraso.

Os funcionários afirmam que pretendem manter a pressão até que recebam uma resposta concreta sobre os seus vencimentos.

O caso levanta novamente o debate sobre as condições de trabalho e a gestão dos serviços de apoio em instituições públicas de ensino, especialmente quando esses serviços são prestados por trabalhadores terceirizados ou contratados através de empresas externas.

Enquanto aguardam uma solução, os trabalhadores reiteram que a prioridade é garantir o pagamento dos salários que consideram essenciais para o sustento das suas famílias.


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